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Por que o tempo muda tão rápido em Manaus? Meteorologista explica fenômeno comum na capital

Chuva se forma em Manaus. Rede Amazônica Quem vive em Manaus já deve ter passado pela seguinte situação: o dia começa com sol forte e, em poucos minutos, u...

Por que o tempo muda tão rápido em Manaus? Meteorologista explica fenômeno comum na capital
Por que o tempo muda tão rápido em Manaus? Meteorologista explica fenômeno comum na capital (Foto: Reprodução)

Chuva se forma em Manaus. Rede Amazônica Quem vive em Manaus já deve ter passado pela seguinte situação: o dia começa com sol forte e, em poucos minutos, uma chuva intensa toma conta da cidade. Popularmente chamada de “mudança de tempo”, que pode variar rapidamente na cidade, o fenômeno tem uma explicação científica. Confira abaixo. Em entrevista ao g1, o meteorologista e pesquisador Leonardo Vergasta, detalhou por que esse comportamento é tão comum na região amazônica. Confira a explicação abaixo. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Formação rápida de nuvens provoca chuvas intensas Segundo Vergasta, o principal fator por trás dessas mudanças bruscas é a chamada convecção profunda: ☀️🌳 O forte calor ao longo da manhã aquece a superfície e a floresta ♨️🌎 Isso faz com que se libere uma grande quantidade de vapor d’água na atmosfera. “Esse ar quente e úmido sobe rapidamente e, em poucos minutos, forma nuvens de grande desenvolvimento vertical, que são responsáveis por chuvas intensas e localizadas”, explicou o meteorologista. Por estar próxima à Linha do Equador, a atmosfera na região é naturalmente mais instável, o que favorece esse ciclo rápido de formação, chuva e dissipação. Além disso, elementos locais influenciam o processo. A presença do Rio Negro e do Rio Solimões cria correntes de ar que ajudam a deslocar ou intensificar nuvens de chuva. Já a urbanização contribui para a formação de ilhas de calor, que aceleram a subida do ar quente. Floresta amazônica intensifica o fenômeno A Floresta Amazônica tem papel fundamental nesse processo. De acordo com o pesquisador, diferentemente do oceano, que evapora água de forma passiva, a floresta atua como uma “bomba de umidade”. “Uma única árvore de grande porte pode lançar centenas de litros de água na atmosfera por dia. Isso faz com que o ar fique rapidamente saturado e favoreça a formação de nuvens de chuva”, afirmou Vergasta. Chuva na Amazônia. Divulgação Ele também destacou que a floresta libera partículas que ajudam na condensação da umidade. “A floresta fornece tanto o vapor quanto os núcleos de condensação. É por isso que, muitas vezes, as nuvens parecem se formar ‘do nada’ e já chegam com chuva intensa”, disse. Estudos indicam que entre 30% e 50% da chuva que cai na região é gerada pela própria floresta, em um ciclo curto. Períodos do ano com mais instabilidade Vergasta explicou que as mudanças rápidas no tempo são mais frequentes entre dezembro e maio, quando a Zona de Convergência Intertropical atua mais ao sul, trazendo umidade do oceano. “É o clássico padrão de sol pela manhã e temporal à tarde. Como o ar já está muito úmido, qualquer aquecimento é suficiente para gerar nuvens de tempestade rapidamente”, explicou. Vista aérea de Manaus, chuva em Manaus William Duarte/Rede Amazônica Entre junho e novembro, as chuvas diminuem, mas continuam ocorrendo de forma mais isolada. “Pode chover forte em um bairro e, ao mesmo tempo, outro permanecer com sol. E nos meses mais quentes, como setembro e outubro, quando há muito calor acumulado, essas tempestades podem ser ainda mais intensas, embora rápidas”, completou. Diferença em relação a outras cidades da Amazônia Embora o fenômeno seja comum em boa parte da Amazônia, o mecanismo pode variar. Em Belém, capital do Pará, por exemplo, a proximidade com o oceano favorece a formação de linhas de instabilidade. “Em Belém, existe uma influência maior da brisa marítima, que ajuda a organizar a chuva em horários mais previsíveis, geralmente no fim da tarde”, explicou o meteorologista. Já em Manaus, distante do litoral, a chuva depende principalmente do calor local e da umidade da floresta e dos rios. “Aqui, a chuva é mais imprevisível, porque depende quase exclusivamente da convecção local. Não há um ‘horário certo’ como em áreas costeiras”, destacou. Relação com o cotidiano da população Para Leonardo Vergasta, viver em Manaus é acompanhar de perto um verdadeiro “laboratório natural”. O pesquisador ressaltou ainda a importância do monitoramento meteorológico. “O manauara tem uma relação muito íntima com a atmosfera. Essas mudanças rápidas fazem parte do cotidiano e mostram como a floresta, os rios e a cidade estão interligados. Entender esses fenômenos é fundamental para a segurança da população e para manter o equilíbrio entre o ambiente natural e a urbanização da cidade”, concluiu. Chuva inunda rua em Manaus