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'Navegar no Encontro das Águas exige atenção redobrada de comandantes', diz especialista após naufrágio no Amazonas

Jornal do Amazonas 1ª edição desta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026 O Encontro das Águas, em Manaus, é um dos pontos mais difíceis para navegação n...

'Navegar no Encontro das Águas exige atenção redobrada de comandantes', diz especialista após naufrágio no Amazonas
'Navegar no Encontro das Águas exige atenção redobrada de comandantes', diz especialista após naufrágio no Amazonas (Foto: Reprodução)

Jornal do Amazonas 1ª edição desta terça-feira, 17 de fevereiro de 2026 O Encontro das Águas, em Manaus, é um dos pontos mais difíceis para navegação na região. Segundo a advogada maritimista Jemima de Paula Soares, a área recebe embarcações de diferentes tamanhos e tem condições naturais que exigem atenção redobrada dos comandantes. O local, onde ocorreu o naufrágio que deixou três mortos, está sob investigação da Marinha e da Polícia Civil. O acidente ocorreu na sexta-feira (13) após a lancha de passageiros Lima de Abreu XV afundar depois de sair de Manaus com destino a Nova Olinda do Norte. Segundo os bombeiros, 80 pessoas estavam na embarcação e 71 foram resgatadas sem ferimentos graves. Após o corpo do cantor gospel Fernando Grandêz, de 39 anos, ser encontrado, subiu para três o número de mortos. Cinco pessoas seguem desaparecidas, segundo o Corpo de Bombeiros. Ao g1, Jemima de Paula Soares, presidente da Comissão de Direito Marítimo e Portuário da OAB-AM, explicou que o encontro dos rios Negro e Solimões cria uma área de confluência marcada por velocidades distintas das águas. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp "O Encontro das Águas, além dele ser um ponto de confluência, de embarcações de todos os tipos, ele é um ponto de encontro de dois rios com velocidades diferenciadas. Então, além de ser um ponto de confluência, ele também é um ponto de travessia. As embarcações têm que trafegar ali com baixa velocidade, estabelecendo sempre a comunicação via rádio", destacou. ➡️ O Encontro das Águas é um dos fenômenos naturais mais famosos da Amazônia. Ele acontece quando os rios Negro e Solimões se encontram, mas seguem lado a lado por quilômetros sem se misturar. A advogada lembrou que a fiscalização naval é feita diariamente e que os comandantes são habilitados pela Marinha, conhecendo normas como o RPEAN (Regulamento para Evitar Abalroamentos no Mar). No entanto, destacou que a segurança depende também dos responsáveis pelas embarcações. Segundo a advogada maritimista Jemima de Paula Soares, a área recebe embarcações de diferentes tamanhos e tem condições naturais que exigem atenção redobrada dos comandantes. Foto: Reprodução/Rede Amazônica “Mesmo com regras claras, há casos de navios que passam em áreas proibidas, como o furo do Paracouba, em velocidade que chega a afetar casas ribeirinhas”, disse. Sobre o naufrágio, Jemima ressaltou que, sem laudo técnico, qualquer discussão sobre as causas do acidente seria especulação. A Marinha abriu inquérito administrativo e a Polícia Civil também iniciou investigação. "Falar sobre possíveis causas de um naufrágio sem um laudo técnico, sem um relatório final da parte mais técnica, que é a autoridade marítima, eu vejo como pura especulação. Depois de um acidente tão trágico, o foco deve ser o apoio às famílias", ressaltou. Naufrágio em Manaus: equipes de resgate encontram corpo de um dos sete desaparecidos LEIA TAMBÉM Saiba quem são as duas vítimas que morreram após embarcação naufragar no Encontro das Águas em Manaus Aniversariante de 75 anos cancela festa após nora desaparecer em naufrágio em Manaus: “Esperava alegria e veio tristeza” O acidente O naufrágio ocorreu por volta das 12h30 de sexta-feira (13). Vídeos obtidos pela Rede Amazônica mostram várias pessoas na água, inclusive crianças, em cima de botes salva-vidas, enquanto aguardavam socorro. As imagens também registram embarcações próximas tentando auxiliar no resgate das vítimas. Uma passageira que ficou à deriva relatou em vídeo que havia alertado o condutor da lancha para diminuir a velocidade devido ao banzeiro (ondas turbulentas características da região). No registro, gravado enquanto ela estava à deriva, a mulher afirma: "falei para ir devagar". Passageira de barco que naufragou no Encontro das Águas em Manaus grava vídeo à deriva O comandante da lancha, identificado como José Pedro da Silva Gama, de 42 anos, foi preso em flagrante no porto da capital, onde se encontrava com outros sobreviventes. Após o pagamento de fiança, foi colocado em liberdade e responderá por homicídio culposo. A Justiça solicitou prisão preventiva do piloto ainda no sábado (14) e ele segue foragido. INFOGRÁFICO - Naufrágio em Manaus g1 Buscas por desaparecidos são complexas, diz bombeiros Segundo os bombeiros, as buscas são consideradas complexas devido às fortes correntes e às mudanças de direção do encontro entre os rios Negro e Solimões, que complicam a varredura e a localização de possíveis vítimas. "Fatores hidrodinâmicos do Encontro das Águas interferem muito nas operações de busca. Nós temos mudanças de direcionamento das correntes de arrasto, principalmente do Rio Solimões, que tem uma correnteza mais forte. Nós temos diferença de densidade de temperatura no Encontro das Águas. A profundidade é muito grande também. Isso é um complicador para as operações", explicou Muniz. A área da embarcação foi localizada a cerca de 50 metros de profundidade. A força-tarefa envolve mergulhadores, embarcações, drones, um helicóptero e três sonares. Equipes de Itacoatiara e Parintins também participam da operação, já que há a possibilidade de as vítimas terem sido levadas para áreas mais distantes do local do naufrágio. ➡️ O Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) do Estado de São Paulo enviou seis militares, incluindo um capitão, para reforçar os trabalhos. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES) cinco adultos do naufrágio deram entrada em unidades da rede estadual de saúde, receberam atendimento e já tiveram alta. Naufrágio de lancha deixa 2 mortos e 7 desaparecidos em Manaus Jornal Nacional/ Reprodução