MP-AM investiga morte em ação policial; PMs são alvo de operação em Manaus
Ministério Público Estadual do Amazonas Adneison Severiano/G1 AM O Ministério Público do Amazonas deflagrou, nesta sexta-feira (13), uma operação para inv...
Ministério Público Estadual do Amazonas Adneison Severiano/G1 AM O Ministério Público do Amazonas deflagrou, nesta sexta-feira (13), uma operação para investigar a morte de João Paulo Maciel dos Santos, ocorrida em outubro de 2025, no bairro Vila da Prata, em Manaus. Ao todo, 19 policiais militares são investigados no caso e 10 foram presos preventivamente durante a operação. Entre os presos está o capitão Wilkens Diego Feitosa da Silva. Um dos mandados de prisão ainda não foi cumprido porque o policial alvo está fora do estado. Segundo o MP, os investigados fazem parte das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam). O caso ganhou repercussão após a divulgação de imagens registradas no momento da abordagem policial. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp A decisão judicial autorizou 38 mandados, sendo 11 de prisão preventiva, 19 de busca e apreensão e oito medidas cautelares diversas da prisão. A ordem foi expedida pela 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital. A operação foi conduzida pelas 60ª e 61ª Promotorias de Justiça Especializadas no Controle Externo da Atividade Policial e Segurança Pública. Segundo os promotores responsáveis pela investigação, a operação apura suspeitas de simulação de prestação de socorro à vítima e alteração da cena do crime. O nome da operação, Simulacrum, faz referência a essa conclusão apresentada na denúncia. "As duas promotorias cumprem o papel do Ministério Público no controle da atividade policial. A ação contou com o apoio dos comandos da Polícia Militar e da Rocam, que auxiliaram nas etapas da investigação", afirmou o promotor Armando Gurgel Maia. O cumprimento dos mandados teve apoio da Polícia Militar do Amazonas, por meio da Diretoria de Justiça e Disciplina da corporação e da unidade Rondas Ostensivas Cândido Mariano. Confira a lista de policiais que tiveram mandados de prisão expedidos: Capitão Wilkens Diego Feitosa da Silva Cabo Fernanda Braga de Oliveira Soldado Luilson Marlon Valentim Soldado Rudicimar Cunha Cativo Soldado Tiago Salim de Lima Soldado Jean Thiago Correia Negreiros 3º sargento Alain José Campos da Silva Junior Soldado Humberto Gondim Barbosa Neto Passo Cabo Marcel Alves de Paiva Soldado Denis Ferreira de Souza Soldado Gelson Zanelato Filho Em nota, a instituição destacou que é formada, em sua maioria, por profissionais que atuam na proteção da população e reafirmou o compromisso com a legalidade e o interesse público. O caso ➡️Segundo informações da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam), os policiais foram ao beco após uma denúncia anônima sobre a venda de entorpecentes por criminosos armados. Os policias solicitaram apoio e iniciaram uma perseguição. Ao entrarem em uma passagem na lateral de uma residência, os policiais afirmaram terem sido atacados a tiros. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Entretanto, moradores e testemunhas contestam a versão da polícia. No vídeo gravado por uma testemunha, é possível ver os agentes abordando um homem sem camisa. O suspeito leva as mãos a cabeça e é revistado sem demonstrar reação. Veja os vídeos que estão em alta no g1 Em seguida, ao menos um policial aparece levando o homem para a passagem lateral de uma residência enquanto um grupo com cerca de seis policiais permanece no local da abordagem. Pouco tempo depois, outros dois agentes entraram na mesma passagem lateral caminhando e logo saem do local carregando um corpo. Revolta da população Um dia após a morte, familiares e amigos realizaram uma manifestação na Avenida Brasil, no bairro Compensa, Zona Oeste. Durante o protesto, os manifestantes levaram cartazes e gritaram por Justiça, atearam fogo a restos de lixo, madeira e pneus e bloquearam a Avenida Brasil. O trânsito na região ficou totalmente bloqueado enquanto a Polícia Militar chegava com reforço para conter os manifestantes. Tiros de balas de borracha chegaram a ser disparados para dispersar a multidão. A mãe da vítima, Jeciara Maciel, participou da manifestação e questionou a morte do filho, além de exigir Justiça. "Mataram meu filho, hoje o enterrei. Pegaram meu filho, ele já estava rendido. Levaram ele para baixo de uma casa. Executaram meu filho. Ele desceu com vida e voltou sem vida. Eu quero Justiça pela vida do meu filho", disse. Na ocasião, o Secretário de Segurança Pública, Coronel Vinicius Almeida, informou que estava deslocando o efetivo de segurança pública para encerrar uma manifestação em homenagem a um traficante de Manaus morto na megaoperação no Rio de Janeiro. A defesa família do jovem contesta essa versão, e diz que o ato foi um pedido legítimo de justiça e que a resposta do Estado foi desproporcional e violenta. “Foi uma manifestação pacífica, com moradores locais segurando cartazes. Não houve tumulto, não houve vandalismo. Tinha criança no local, e a polícia chegou atirando sem saber em quem. Foi uma ação hostil e excessiva”, disse a advogada Thayane Costa.