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Após 12 anos do acidente entre micro-ônibus e caminhão em Manaus, familiares e sobreviventes convivem com os ecos da tragédia: 'ainda dói'

No AM, acidente entre micro-ônibus e caminhão mata mais de dez pessoas Um dos acidentes de trânsito mais graves da história de Manaus completa 12 anos neste...

Após 12 anos do acidente entre micro-ônibus e caminhão em Manaus, familiares e sobreviventes convivem com os ecos da tragédia: 'ainda dói'
Após 12 anos do acidente entre micro-ônibus e caminhão em Manaus, familiares e sobreviventes convivem com os ecos da tragédia: 'ainda dói' (Foto: Reprodução)

No AM, acidente entre micro-ônibus e caminhão mata mais de dez pessoas Um dos acidentes de trânsito mais graves da história de Manaus completa 12 anos neste sábado (28). A colisão entre um caminhão e um micro-ônibus do transporte executivo, em 28 de março de 2014, na Avenida Djalma Batista, deixou 16 mortos em uma das principais vias da capital. O acidente ocorreu por volta das 19h40 de uma sexta-feira, em horário de grande movimentação de veículos. O caminhão, que prestava serviços terceirizados para a Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seminf), perdeu o controle, atravessou o canteiro central, invadiu a contramão e colidiu de frente com o micro-ônibus da linha 825, que estava lotado. 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp O trânsito intenso dificultou a chegada das equipes de resgate. Muitos passageiros ficaram presos às ferragens, o que tornou o trabalho ainda mais complexo. Entre os mortos estavam os motoristas dos dois veículos, uma criança e uma mulher grávida. Médicos chegaram a realizar o parto do bebê, mas ele também não resistiu. Mais de uma década depois, familiares de vítimas e sobreviventes ainda convivem com os ecos da tragédia. 📸 Veja fotos do acidente na Djalma Batista, em 2014 Acidente ocorreu próximo a viaduto do Bairro Flores, Zona Centro-Sul de Manaus Jamile Alves/G1 AM Tragédia sempre será lembrada por vítimas e familiares Um dos mortos no acidente foi o autônomo Sebastião Araújo, que voltava para casa quando o acidente aconteceu, em 2014. Ao g1, Roseana Araújo, filha de Sebastião, contou que a família sente muito a falta dele doze anos após a perda. "Não importa quanto tempo passe, ainda dói. Dói não ter meu 'painho' perto, dói não ter acompanhado nossa vida. Todos os dias, quando oramos, agradecemos demais por nos ter dado o melhor pai do mundo e, por ele, continuamos lutando e vencendo todos os dias", afirmou Roseana. Acidente ocorreu próximo a viaduto do Bairro Flores, Zona Centro-Sul de Manaus Jamile Alves/G1 AM Gisele Costa era cobradora do micro-ônibus naquela noite e está entre os sobreviventes da tragédia. Ela relatou ao g1 que carrega até hoje as marcas físicas e emocionais do acidente, e relembrou a noite como um dos momentos mais difíceis de sua vida. “É muito traumatizante para mim, é como se eu tivesse vivido isso há um mês, e já fazem 12 anos. Foram momentos de dor, tristeza, angústia e sofrimento”, disse. Gisele contou que sofreu ferimentos graves, incluindo fraturas no fêmur, colo do fêmur e patela do joelho, além de traumatismo craniano, contusão pulmonar e hemorragia interna. Ela ficou em coma por 10 dias, passou cerca de um mês internada e precisou ser submetida a sete cirurgias. “Fiquei em coma por 10 dias e hospitalizada por mais 20. Fiz sete cirurgias, uso platina na perna e fiquei com uma diferença de uma perna para outra”, relatou. Acidente ocorreu próximo a viaduto do Bairro Flores, Zona Centro-Sul de Manaus Jamile Alves/G1 AM Ao falar sobre o impacto da tragédia, ela destacou a dor das famílias que perderam parentes e classificou o acidente como resultado de imprudência. “Por uma irresponsabilidade humana, muitas vidas foram ceifadas. Quem sofre até hoje são as famílias que perderam seus entes queridos e também as vítimas sobreviventes dessa noite tão triste”, afirmou. A sobrevivente também defendeu mais fiscalização e medidas de segurança no trânsito para evitar novas tragédias. “A gente sempre espera que as autoridades façam algo para mudar esse cenário de trânsito imprudente. Tantas vidas já se foram ao longo desses anos. Gostaria, sim, que houvesse mais segurança e fiscalização”, completou. O que apontaram as investigações Laudos periciais elaborados após o acidente indicaram que o motorista do caminhão havia consumido álcool e cocaína antes da colisão. Os exames também descartaram falhas mecânicas no veículo. O documento concluiu que houve imprudência por parte do condutor ao ingerir substâncias entorpecentes. Ainda de acordo com os peritos, a velocidade do caminhão estava entre 80 e 90 km/h, acima do permitido para a via, que é de 60 km/h. Dados do laudo oficial do Instituto de Perícia da Polícia Civil do Amazonas, divulgados em abril daquele ano, também apontaram que a alta velocidade do caminhão foi a causa determinante do acidente. O documento diz que o condutor desenvolveu velocidade acima do limite estabelecido pela legislação do Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Mudanças e homenagens Placa foi colocada debaixo de viaduto Roberta Bindá/Rede Amazônica Na época do acidente, a Prefeitura de Manaus decretou luto oficial de três dias. Um mês depois, o local onde ocorreu a tragédia também recebeu grades de proteção e sinalização que, segundo a Seminf, são similares à estrutura utilizada nas pistas de corrida de Fórmula 1. Foram utilizados 125 metros da estrutura de ferro para evitar que veículos ultrapassem a via contrária em casos de acidentes. Em 2018, quatro anos após a tragédia, a prefeitura inaugurou um memorial em homenagem às vítimas construído sob o viaduto Ayrton Senna. A cerimônia contou com a presença de familiares, amigos e autoridades, além da realização de um culto ecumênico. O Complexo Viário 28 de Março, na Avenida Torquato Tapajós, recebeu este nome em referência à data da tragédia. Doze anos depois, a lembrança do acidente ainda mobiliza familiares e reforça o alerta sobre os riscos da imprudência no trânsito. Culto homenageia e lembra 15 mortos em acidente trágico há um ano, em Manaus